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"Verdes Trigos" - 5 new articles

  1. Carta de Adeus, o filme de Alex Figueiras.
  2. DELINQUENCIA AMBIENTAL, os limites do Direito Penal, obra de Cláudio Lopes
  3. “Curiangos” e “Milagre dos peixes”, duas telas de Chico Lopes
  4. "O retrato ou Um pouco de Henry James não faz mal a ninguém", quarto livro de Lima Trindade
  5. Em busca de um tempo mantido, por Clayton de Souza
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Carta de Adeus, o filme de Alex Figueiras.

10369015_332235193591196_6855225694208355915_oO cinema do Centro Cultural Matarazzo, em Presidente Prudente, foi o palco do lançamento do curta-metragem prudentino “Carta de Adeus”, um drama de 12 minutos, com roteiro e direção de Alex Figueiras, 30.

Estive lá, vi o cine lotado para assistir à película de apenas 12 minutos. E para minha alegria, Alex entregou-me  um DVD para eu apreciar novamente o curta. Valeu a pena!

FILME. Um homem de 30 anos que decide deixar a vida pacata no campo para se arriscar na “cidade grande” que é Presidente Prudente e, depois de dois anos com a nova rotina, decide escrever para a mãe. Esse é o enredo do curta-metragem “Carta de Adeus”. A fascinação por tentar entender o ser humano no momento em que é preciso tomar decisões que possam interferir no ciclo da vida fez com que Figueiras optasse pelo enredo e utizasse a escrita como forma de despedida. “Toda história começa pela carta. O Matheus, personagem principal, está cansado de sua vida e decide procurar um oráculo para ter um auxílio espiritual e, após uma visão, busca mudar de vida”, contou.

Ainda segundo ele, depois da vinda do homem para Presidente Prudente, muitas coisas lhe acontecem, inclusive passar por dificuldades. “Durante a leitura da mãe, nós mostramos nas filmagens tudo o que ele passou, desde a procura por emprego, até o momento em que mendigou em frente à igreja”, falou.

'Carta de Adeus' teve as gravações iniciadas há dois anos (Foto:  Diego Gonçalves/Divulgação)

‘Carta de Adeus’ teve as gravações iniciadas há dois anos (Foto: Diego Gonçalves/Divulgação)

Agora, Figueiras tem pretensões maiores, já o inscreveu em festivais nacionais concorrendo a prêmios.

Sinopse
No campo, a vida era como o voo melancólico de uma borboleta, sereno, suave. À noite então, o vento era visível e carinhoso, trazia os cânticos dos pássaros numa combinação perfeita, uma verdadeira sinfonia. Assim a vida era, menos para Mateus, um jovem lotado de inquietações. Suas dificuldades o cegaram de tal forma, que o fez levantar voo. E como um pássaro, voará altos e baixos sempre a driblar as armadilhas de seus predadores e até o mais temível de todos, a gaiola.

Direção / roteiro / edição / efeitos especiais: Alex Figueiras

Produção: Alex Figueiras e Diego Gonçalves

Música: Gabbe Violineon

Fotografia: Alex Figueiras, Bruno Providelo R. Gardiolo e Eduardo Rizzio

Direção de arte: Mariana Vasconcelos

Elenco: Tiago Cardoso, Cida Camargo Camargo, Maria Augusta, Lucas Abdalla, Sérgio Souza Parmezzani, José Carlos dos Santos, Edivaldo Fervença, Alex Figueiras, Bruno Providelo. Eduardo Rizzio, Diego Gonçalves.

 

 

      


DELINQUENCIA AMBIENTAL, os limites do Direito Penal, obra de Cláudio Lopes

Esta obra do professor, jurista e advogado Cláudio Lopes busca propiciar ao leitor uma determinada visão sobre o ambiente e sua tutela por meio do Direito Penal. Parte-se de uma determinada abordagem do Direito Penal Ambiental sob a perspectiva finalista ortodoxa, isto é, vinculada, necessária e inexoravelmente, às estruturas lógico-objetivas de Welzel. Esta afirmativa será melhor visualizada desde a ideia de que a culpabilidade fundamenta e limita a pena, os contornos traçados pela distinção meramente formal entre ilícitos, como, também e principalmente, pela separação entre culpabilidade (merecimento de pena) e punibilidade (categoria alheia ao conceito analítico de delito e sede propícia de todos os elementos relacionados à necessidade de imposição de pena). Quanto aos fins da pena e sua pretensa capacidade pedagógica, rechaça-se a teoria agnóstica propondo pequena exacerbação dos fins de prevenção para a delinquência ambiental.

Prefácio: Profa. Dra. Érika Mendes de Carvalho
Posfácio: Profa. Dra. Gisele Mendes de Carvalho
Foto da capa: Winnie Overbeek

ISBN 978-85-99286-67-8 (impresso)
ISBN 978-85-99286-68-5 (EPUB)
ISBN 978-85-99286-69-2 (MOBI)

Sobre o autor CLAUDIO LOPES:
O autor é doutorando em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense – UFF, Mestre em Direito pela Universidade Estadual de Maringá – UEM, Especialista em Direito pela UNOESTE e possui graduação em DIREITO pelas Faculdades Integradas Antônio Eufrásio de Toledo, de Presidente Prudente – UNITOLEDO. Atualmente lidera os Grupo de Pesquisa UFMS/CNPq "Controle social, política criminal e tutela jurídico-penal de bens jurídicos individuais e supraindividuais" e "Estudos de Direito Penal: vida e obra de Hans Welzel e suas contribuições para a Ciência Penal contemporânea" e participa, como pesquisador, de Grupos de Pesquisa UEM/CNPq "Novas perspectivas da proteção jurídico-penal do ambiente e da ordenação do território", "Problemas fundamentais do direito penal contemporâneo" e UFMS/CNPq "Tutela jurisdicional punitiva na modernidade" e "Atividade econômica, sustentabilidade sócio-ambiental, políticas públicas e tutela jurídica".
É professor de Direito Penal na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campus Três Lagoas. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Penal. Publicou diversos artigos em periódicos especializados e trabalhos em anais de eventos no Brasil e capítulos de livros publicados e centenas de itens de produção técnica.

 

 

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“Curiangos” e “Milagre dos peixes”, duas telas de Chico Lopes

Chico Lopes, conhecido romancista, contista e tradutor, possuidor de Prêmio Jabuti, é um artista completo. Tenho o privilégio de ter exposto em minha casa duas de suas telas.

1 – Curiangos

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Chico Lopes diz que é fascinado por curiangos.  Curiangos sãos aves de hábitos noturnos, pardo-amarelada, com pintas pretas e que mede cerca de 30cm. Por ter as penas macias, seu vôo é silencioso como o das corujas. Costuma pousar na estrada, da qual só levanta vôo quando uma pessoa ou carro se aproxima, indo pousar, repetidas vezes, mais adiante. Isso lhe valeu igualmente o nome de mede-léguas. Seus ovos, em número de dois, são postos no chão sem maior cuidado, ou no máximo ao abrigo de um arbusto. Espécie próxima é o curiango-tesoura assim chamado pelas longas penas da cauda, às vezes do mesmo comprimento que o do corpo.

2 – Milagre dos peixes

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Nomeei esta tela como: “Milagre dos peixes”. Diz  Chico Lopes que são piavas, pescadas no Ribeirão dos Porcos (Itápolis) e colocadas sobre uma toalha numa cadeira em casa de um amigo que tinha uma fazenda lá por perto. Amo esta tela.

 

 

 

      


"O retrato ou Um pouco de Henry James não faz mal a ninguém", quarto livro de Lima Trindade

O retrato Lima TrindadeRecebi o livro "O retrato ou Um pouco de Henry James não faz mal a ninguém", quarto livro de Lima Trindade, contista celebrado como um dos principais de sua geração pelo crítico e escritor Nelson de Oliveira. É uma história de mistério por terras estrangeiras. Comecei a ler e não parei mais. Instigante desde as primeiras notas da viagem a Portugal. O livro transita em diversas tradições do gênero: relato de viagem, estória de amor, realismo mágico, crônica de costumes, além de costurar fatos históricos e ficção. O leitor se sente na viagem, adentra na relação com o guia e com os outros viajantes, especialmentes aqueles que pensam que conhecem mais que o próprio guia.

imageO enredo trata inicialmente das desventuras de um casal brasileiro em viagem de férias e suas descobertas do Velho Mundo. A edição é da P55 Comunicação.

Uma leitura cheia de surpresas. O livro brinca com a ideia de surpresa. Na leitura desabrocha a emoção da descoberta. Estou gostando muito.

No Recife, quando do lançamento em entrevista ao Café Colombo, Lima Trindade explicou que, durante a escrita, não define a forma como o fará.  "É algo que contamina durante o processo. São as sensações que gostaríamos de provocar no leitor que nos conduz. A brincadeira com os diversos gêneros não é a priori. É a história que acaba por pedir isso. Não dá para dissociá-los. Foi a melhor forma que encontrei para dizer o que queria. A ideia era diluir os clichês, brincar com eles, revertê-los, tudo com um olhar irônico", contextualiza.

imageO enredo de "O Retrato" apropria-se de um potencial suspense em sua narrativa. Sobre aquilo que seria o tema central do conto, o escritor adianta: "Seria o encontro e o confronto de culturas. A história começa com dois brasileiros em Portugal. Por isso a brincadeira com o subtítulo [Um pouco de Henry James não faz mal a ninguém], pois o atrito entre o velho e o novo era um de seus principais temas. De uma maneira ou de outra isso acaba se referindo à forma".

AUTOR: Lima Trindade é o autor da novela Supermercado da Solidão (LGE, 2005), dos livros de contos “Todo Sol mais o Espírito Santo” (Ateliê Editorial, 2005) e Corações Blues e Serpentinas (Arte Pau Brasil, 2007). Participou de diversas antologias de contos, entre elas Tempo Bom (Iluminuras, 2010), Geração Zero Zero (Língua Geral, 2011) e 82: uma copa, quinze histórias (Casarão do Verbo, 2013). É editor da revista eletrônica Verbo21.

 

O bau dos espantos

 

Molloy

 

 A vida secreta de Fidel

      

Em busca de um tempo mantido, por Clayton de Souza

heranca-copyEm Hamlet, ato2, cena 2, Rosencratz assim responde à afirmação do príncipe dinamarquês de que seu país é “uma prisão”:

“É que vossa ambição vos persuade que seja um cárcere. É apertada demais para vosso espírito”.

Sabem os leitores de Shakespeare que esse é um tema transversal da peça: a consciência superlativa do personagem-título apequena a todos em sua volta e, quiçá, responda em grande parte pela melancolia mórbida que o acomete. Se aplicarmos esse trecho ao contexto presente (a bem da verdade, não apenas ao presente) das artes literárias nacionais e, guardadas as devidas proporções, substituirmos Hamlet pelos escritores nacionais de um país com crônicos problemas de leitura, veremos como, de transversal, o tema passa a ser central. O trecho, consequentemente, torna-se mais expressivo.

Fato é que o escritor brasileiro em cujo espírito esteja presente a tradição literária mundial não pode deixar de se sentir deslocado num país como o Brasil. Não se trata, claro está, de uma depreciação ao que é nacional em função daquele “suspirar pela Europa”, versificado com muita graça por Drummond. Trata-se, isso sim, de um olhar lúcido a um aspecto que remonta desde tempos coloniais, o de pautar-se culturalmente no estrangeiro, no civilizado, no “culto” — estamos aqui nos referindo ao gosto do leitor popular em geral — que elide uma consistente tradição literária nacional contemporânea e, por conseguinte, um pensamento crítico e atento aos rumos que essa literatura vem tomando (ou tomará).

Logicamente que diante desse contexto de descaso, o espírito criador será afetado. Como? Provavelmente a leitura do livro de memórias do escritor novorizontino Chico Lopes, A herança e a procura, responda a essa pergunta.

É notório que a cisão ambígua entre o íntimo criador e o meio provinciano seja o eixo do livro. Isso não só se reflete no recorte do tema que se centra nos anos fundamentais em que Chico Lopes viveu na cidade natal, e ignora fatos capitais como o prêmio Jabuti conquistado em 2012, por exemplo. A temática do livro já aparece condensada no próprio título que estabelece uma tensão entre o que é herdado (o apego à terra, a “religiosidade” enviesada, os temores etc.) e a inquietação do artista, a sonhar com o meio urbano, com a superação do pensamento coletivo provinciano, com a (idealizada) Vila Madalena, com a profissionalização artística — quimera cruel. O livro trata de Novo Horizonte, interior de São Paulo, mas não seria hiperbólico considerar o país no lugar da província.

O livro é, em outras palavras, uma anatomia do eu criador, em sua constituição.

No decorrer das 167 páginas de uma prosa fluida e simples, acompanhamos Chico Lopes, da infância à maturidade, construindo uma identidade própria e autônoma dentro dos limites demasiado estreitos de Novo Horizonte. Essa identidade em progresso já de início é marcada pelo deslocamento, por indústria de uma sensibilidade acima da média regional, e pelo desprezo ao utilitarismo vigente das ações, um ponto intermediário entre a virilidade do pai e irmãos a calibrar os rifles de caça na oficina e o universo feminino das irmãs e mãe, em seus bordados e carretéis de linha.

Qual um novo Sérgio que, já na estufa familiar, começa a “encontrar o mundo” em O ateneu, observamos um garoto acometido de terrores e receios de toda a espécie ainda no âmbito familiar. Em meio a tantos receios, o que inicialmente mais chama a atenção é o da mata que orna a pequena cidade natal. Fato curioso que esse medo se instale e se mantenha justamente em um habitante nativo; sem dúvida, um índice de que aquele espírito, por um erro de cálculo inesperado, encarnou em um contexto totalmente avesso à sua natureza. O mais singular é que esse pavor ao que é externo e que compõe a paisagem inerente ao local, de certa forma ecoa mais adiante na grande oportunidade de sua carreira: uma exposição em Curitiba na qual só permanece dois dias, declinando, em desespero, de permanecer mais; assim também anos mais tarde, no paraíso cultural/boêmio da metrópole paulistana, a egrégia Vila Madalena onde, a convite de um atencioso camarada, vai trabalhar em uma livraria…

Como diria o narrador proustiano acerca dos soluços que o acometeram quando com sua mãe, a esperar o beijo materno de boa-noite: “Seu eco nunca cessou”.

Mais complexa é a relação do artista com sua cidadezinha, ambivalente ao extremo. Lê-se com interesse como esse jovem ressabiado, apolítico, inquieto e suscetível cresce e se desenvolve, como pode, nesse pedaço de terra, com seus moradores afáveis mas de espírito estreito, com suas ruas de terra esvoaçante cujo atrativo maior é a pequena praça e a igreja onde o memorialista e seus amigos de igual estirpe se reúnem, a falar de Proust, pintura, cinema etc.

O leitor acompanha, com um misto de afetuosidade e comiseração, o desenrolar da vida desses simpáticos jovens seminais nesse pequeno ambiente. Sente-se, e isso não deixa de ser lamentável, que aqueles espíritos sagazes, cultos e espirituosos não deveriam estar ali; pressente-se, a cada nova figura que Chico Lopes nos apresenta, que os anseios desses rapazes não se concretizarão, que suas metas não serão alcançadas, e não por incompetência deles, mas por estarem onde estão; pensando melhor, é possível que tal sorte não melhorasse mesmo superadas as fronteiras de Novo Horizonte: seu país é o Brasil.

Mas o outro lado da moeda é esse apego por esse mesmo local, suas ruas interioranas, sua aura; é um afeto que jamais explicita claramente suas raízes, no entanto fortes. Para o bem ou para o mal, é nela que o autor de O estranho no corredor se constituirá um artista, e é fato notório que tais raízes jamais serão renegadas e farão mesmo parte de sua estética. Vejamos seus quadros, em especial o que ilustra o volume: nele não enxergamos um exterior de tons variados, opressores, em sua variedade, em suas multifacetadas formas, em contraposição à figura humana, ali relegada a um canto periférico? E o céu estrelado, à paisagem da janela? Esse céu sem dúvida interiorano, pois que não elidido por prédios gigantescos, luzes de neon e arquitetura refinadamente metropolitana.

No seguir dessas páginas nas quais uma miríade de pessoas aparece, em que a descrição do ambiente nos evoca a imaginação (e para alguns, mesmo recordações) e em que nos é colocado à vista, sem qualquer resquício de autocomplacência, o retrato de um ser humano num incessante movimento à procura de algo que não bem se define, mas que se sente com nitidez, a ponto de não se questionar sua legitimidade, a ideia que se solidifica é a de uma obra que anseia por cristalizar uma determinada época e um determinado estado de coisas; não um tempo alegórico, ou uma alegoria auto-edificante, mas uma história de vida muito ilustrativa, pois já disse Mário de Andrade: “Não podemos servir de exemplo, mas podemos servir de lição”.

Por esse mesmo motivo recomendo A herança e a procura aos aficionados por Rowling, Brown, Martin e Green.

 

*Clayton de Souza é autor de “Contos juvenistas” (Patuá) e colaborador com resenhas do jornal “Rascunho”. Reside em São Paulo.

Trilha sonora - A culpa é das estrelas

 

      



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