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"Verdes Trigos" - 5 new articles

  1. “Curiangos” e “Milagre dos peixes”, duas telas de Chico Lopes
  2. "O retrato ou Um pouco de Henry James não faz mal a ninguém", quarto livro de Lima Trindade
  3. Em busca de um tempo mantido, por Clayton de Souza
  4. Lançamento: “O guardador de abismos”, do poeta Antonio Ventura
  5. O lançamento de “NA SALA ESCURA: a arte de sonhar com os olhos abertos”, de Chico Lopes, já tem data marcada
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“Curiangos” e “Milagre dos peixes”, duas telas de Chico Lopes

Chico Lopes, conhecido romancista, contista e tradutor, possuidor de Prêmio Jabuti, é um artista completo. Tenho o privilégio de ter exposto em minha casa duas de suas telas.

1 – Curiangos

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Chico Lopes diz que é fascinado por curiangos.  Curiangos sãos aves de hábitos noturnos, pardo-amarelada, com pintas pretas e que mede cerca de 30cm. Por ter as penas macias, seu vôo é silencioso como o das corujas. Costuma pousar na estrada, da qual só levanta vôo quando uma pessoa ou carro se aproxima, indo pousar, repetidas vezes, mais adiante. Isso lhe valeu igualmente o nome de mede-léguas. Seus ovos, em número de dois, são postos no chão sem maior cuidado, ou no máximo ao abrigo de um arbusto. Espécie próxima é o curiango-tesoura assim chamado pelas longas penas da cauda, às vezes do mesmo comprimento que o do corpo.

2 – Milagre dos peixes

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Nomeei esta tela como: “Milagre dos peixes”. Diz  Chico Lopes que são piavas, pescadas no Ribeirão dos Porcos (Itápolis) e colocadas sobre uma toalha numa cadeira em casa de um amigo que tinha uma fazenda lá por perto. Amo esta tela.

 

 

 

      


"O retrato ou Um pouco de Henry James não faz mal a ninguém", quarto livro de Lima Trindade

O retrato Lima TrindadeRecebi o livro "O retrato ou Um pouco de Henry James não faz mal a ninguém", quarto livro de Lima Trindade, contista celebrado como um dos principais de sua geração pelo crítico e escritor Nelson de Oliveira. É uma história de mistério por terras estrangeiras. Comecei a ler e não parei mais. Instigante desde as primeiras notas da viagem a Portugal. O livro transita em diversas tradições do gênero: relato de viagem, estória de amor, realismo mágico, crônica de costumes, além de costurar fatos históricos e ficção. O leitor se sente na viagem, adentra na relação com o guia e com os outros viajantes, especialmentes aqueles que pensam que conhecem mais que o próprio guia.

imageO enredo trata inicialmente das desventuras de um casal brasileiro em viagem de férias e suas descobertas do Velho Mundo. A edição é da P55 Comunicação.

Uma leitura cheia de surpresas. O livro brinca com a ideia de surpresa. Na leitura desabrocha a emoção da descoberta. Estou gostando muito.

No Recife, quando do lançamento em entrevista ao Café Colombo, Lima Trindade explicou que, durante a escrita, não define a forma como o fará.  "É algo que contamina durante o processo. São as sensações que gostaríamos de provocar no leitor que nos conduz. A brincadeira com os diversos gêneros não é a priori. É a história que acaba por pedir isso. Não dá para dissociá-los. Foi a melhor forma que encontrei para dizer o que queria. A ideia era diluir os clichês, brincar com eles, revertê-los, tudo com um olhar irônico", contextualiza.

imageO enredo de "O Retrato" apropria-se de um potencial suspense em sua narrativa. Sobre aquilo que seria o tema central do conto, o escritor adianta: "Seria o encontro e o confronto de culturas. A história começa com dois brasileiros em Portugal. Por isso a brincadeira com o subtítulo [Um pouco de Henry James não faz mal a ninguém], pois o atrito entre o velho e o novo era um de seus principais temas. De uma maneira ou de outra isso acaba se referindo à forma".

AUTOR: Lima Trindade é o autor da novela Supermercado da Solidão (LGE, 2005), dos livros de contos “Todo Sol mais o Espírito Santo” (Ateliê Editorial, 2005) e Corações Blues e Serpentinas (Arte Pau Brasil, 2007). Participou de diversas antologias de contos, entre elas Tempo Bom (Iluminuras, 2010), Geração Zero Zero (Língua Geral, 2011) e 82: uma copa, quinze histórias (Casarão do Verbo, 2013). É editor da revista eletrônica Verbo21.

 

O bau dos espantos

 

Molloy

 

 A vida secreta de Fidel

      

Em busca de um tempo mantido, por Clayton de Souza

heranca-copyEm Hamlet, ato2, cena 2, Rosencratz assim responde à afirmação do príncipe dinamarquês de que seu país é “uma prisão”:

“É que vossa ambição vos persuade que seja um cárcere. É apertada demais para vosso espírito”.

Sabem os leitores de Shakespeare que esse é um tema transversal da peça: a consciência superlativa do personagem-título apequena a todos em sua volta e, quiçá, responda em grande parte pela melancolia mórbida que o acomete. Se aplicarmos esse trecho ao contexto presente (a bem da verdade, não apenas ao presente) das artes literárias nacionais e, guardadas as devidas proporções, substituirmos Hamlet pelos escritores nacionais de um país com crônicos problemas de leitura, veremos como, de transversal, o tema passa a ser central. O trecho, consequentemente, torna-se mais expressivo.

Fato é que o escritor brasileiro em cujo espírito esteja presente a tradição literária mundial não pode deixar de se sentir deslocado num país como o Brasil. Não se trata, claro está, de uma depreciação ao que é nacional em função daquele “suspirar pela Europa”, versificado com muita graça por Drummond. Trata-se, isso sim, de um olhar lúcido a um aspecto que remonta desde tempos coloniais, o de pautar-se culturalmente no estrangeiro, no civilizado, no “culto” — estamos aqui nos referindo ao gosto do leitor popular em geral — que elide uma consistente tradição literária nacional contemporânea e, por conseguinte, um pensamento crítico e atento aos rumos que essa literatura vem tomando (ou tomará).

Logicamente que diante desse contexto de descaso, o espírito criador será afetado. Como? Provavelmente a leitura do livro de memórias do escritor novorizontino Chico Lopes, A herança e a procura, responda a essa pergunta.

É notório que a cisão ambígua entre o íntimo criador e o meio provinciano seja o eixo do livro. Isso não só se reflete no recorte do tema que se centra nos anos fundamentais em que Chico Lopes viveu na cidade natal, e ignora fatos capitais como o prêmio Jabuti conquistado em 2012, por exemplo. A temática do livro já aparece condensada no próprio título que estabelece uma tensão entre o que é herdado (o apego à terra, a “religiosidade” enviesada, os temores etc.) e a inquietação do artista, a sonhar com o meio urbano, com a superação do pensamento coletivo provinciano, com a (idealizada) Vila Madalena, com a profissionalização artística — quimera cruel. O livro trata de Novo Horizonte, interior de São Paulo, mas não seria hiperbólico considerar o país no lugar da província.

O livro é, em outras palavras, uma anatomia do eu criador, em sua constituição.

No decorrer das 167 páginas de uma prosa fluida e simples, acompanhamos Chico Lopes, da infância à maturidade, construindo uma identidade própria e autônoma dentro dos limites demasiado estreitos de Novo Horizonte. Essa identidade em progresso já de início é marcada pelo deslocamento, por indústria de uma sensibilidade acima da média regional, e pelo desprezo ao utilitarismo vigente das ações, um ponto intermediário entre a virilidade do pai e irmãos a calibrar os rifles de caça na oficina e o universo feminino das irmãs e mãe, em seus bordados e carretéis de linha.

Qual um novo Sérgio que, já na estufa familiar, começa a “encontrar o mundo” em O ateneu, observamos um garoto acometido de terrores e receios de toda a espécie ainda no âmbito familiar. Em meio a tantos receios, o que inicialmente mais chama a atenção é o da mata que orna a pequena cidade natal. Fato curioso que esse medo se instale e se mantenha justamente em um habitante nativo; sem dúvida, um índice de que aquele espírito, por um erro de cálculo inesperado, encarnou em um contexto totalmente avesso à sua natureza. O mais singular é que esse pavor ao que é externo e que compõe a paisagem inerente ao local, de certa forma ecoa mais adiante na grande oportunidade de sua carreira: uma exposição em Curitiba na qual só permanece dois dias, declinando, em desespero, de permanecer mais; assim também anos mais tarde, no paraíso cultural/boêmio da metrópole paulistana, a egrégia Vila Madalena onde, a convite de um atencioso camarada, vai trabalhar em uma livraria…

Como diria o narrador proustiano acerca dos soluços que o acometeram quando com sua mãe, a esperar o beijo materno de boa-noite: “Seu eco nunca cessou”.

Mais complexa é a relação do artista com sua cidadezinha, ambivalente ao extremo. Lê-se com interesse como esse jovem ressabiado, apolítico, inquieto e suscetível cresce e se desenvolve, como pode, nesse pedaço de terra, com seus moradores afáveis mas de espírito estreito, com suas ruas de terra esvoaçante cujo atrativo maior é a pequena praça e a igreja onde o memorialista e seus amigos de igual estirpe se reúnem, a falar de Proust, pintura, cinema etc.

O leitor acompanha, com um misto de afetuosidade e comiseração, o desenrolar da vida desses simpáticos jovens seminais nesse pequeno ambiente. Sente-se, e isso não deixa de ser lamentável, que aqueles espíritos sagazes, cultos e espirituosos não deveriam estar ali; pressente-se, a cada nova figura que Chico Lopes nos apresenta, que os anseios desses rapazes não se concretizarão, que suas metas não serão alcançadas, e não por incompetência deles, mas por estarem onde estão; pensando melhor, é possível que tal sorte não melhorasse mesmo superadas as fronteiras de Novo Horizonte: seu país é o Brasil.

Mas o outro lado da moeda é esse apego por esse mesmo local, suas ruas interioranas, sua aura; é um afeto que jamais explicita claramente suas raízes, no entanto fortes. Para o bem ou para o mal, é nela que o autor de O estranho no corredor se constituirá um artista, e é fato notório que tais raízes jamais serão renegadas e farão mesmo parte de sua estética. Vejamos seus quadros, em especial o que ilustra o volume: nele não enxergamos um exterior de tons variados, opressores, em sua variedade, em suas multifacetadas formas, em contraposição à figura humana, ali relegada a um canto periférico? E o céu estrelado, à paisagem da janela? Esse céu sem dúvida interiorano, pois que não elidido por prédios gigantescos, luzes de neon e arquitetura refinadamente metropolitana.

No seguir dessas páginas nas quais uma miríade de pessoas aparece, em que a descrição do ambiente nos evoca a imaginação (e para alguns, mesmo recordações) e em que nos é colocado à vista, sem qualquer resquício de autocomplacência, o retrato de um ser humano num incessante movimento à procura de algo que não bem se define, mas que se sente com nitidez, a ponto de não se questionar sua legitimidade, a ideia que se solidifica é a de uma obra que anseia por cristalizar uma determinada época e um determinado estado de coisas; não um tempo alegórico, ou uma alegoria auto-edificante, mas uma história de vida muito ilustrativa, pois já disse Mário de Andrade: “Não podemos servir de exemplo, mas podemos servir de lição”.

Por esse mesmo motivo recomendo A herança e a procura aos aficionados por Rowling, Brown, Martin e Green.

 

*Clayton de Souza é autor de “Contos juvenistas” (Patuá) e colaborador com resenhas do jornal “Rascunho”. Reside em São Paulo.

Trilha sonora - A culpa é das estrelas

 

      


Lançamento: “O guardador de abismos”, do poeta Antonio Ventura

imageAntonio Ventura, poeta marginal da Geração 70, rompe, no seu novo livro, com os limites do poema, do conto, da prosa, tramando um diálogo lírico e pessoal entre estes gêneros, escancarando toda a poesia dos abismos pelos quais transitou e transita desde a infância. O guardador de abismos  tem uma poesia que dói, tamanha a beleza das imagens e intensidade do desnudamento realizado pelo poeta.

Ao longo do livro, Antonio Ventura apresenta poemas em homenagem a grandes escritores e poetas como Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Antonio Carlos Secchin, Carlos Nejar, Ivan Junqueira, Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto, Mário Chamie, Adriano Espínola, e também a seus filhos e a sua mulher, Débora.

Carlos Nejar diz que o poeta “de catador de palavras, passou ao ofício de guardador de abismos”, e que “o primeiro movimento era de fora para dentro”, referindo-se ao O catador de palavras, seu livro de 2011, e que “agora é de dentro para fora. Antes plantou, agora aprofunda e depura o que plantou”. Nejar ainda diz que “Antonio Ventura, ao guardar no cofre dos símbolos, o abismo que somos, não só relata a nossa transitoriedade, como utiliza os instrumentos capazes de durar.”

O guardador de abismos é a reunião de vários textos poéticos de Ventura, conjunto e partes sobre as quais Antonio Carlos Secchin escreveu: “As três partes da obra são atravessadas pelo mesmo sopro lírico, que transforma o poeta (ainda que em prosa) num ser tecido de água e vento.” Água e vento, estrela e amor, e os abismos revelam a natureza de sua poesia ao mesmo tempo em que ornamentam as imagens do mergulho que o poeta faz ao longo do livro.

Secchin diz que “após o belo O catador de palavras (2011), O guardador de abismos  é confirmação do talento – em verso & prosa – de Antonio Ventura”. “Algumas imagens se reiteram, se desdobram, se espessam, na trama obsessiva de um escritor que trabalha na fronteira entre os gêneros, ou que se esmera em torná-los reciprocamente permeáveis. Impossível compartimentar o que seria estritamente “crônica”, “conto”, “poema em prosa” e “prosa poética” num conjunto em que vários textos se compõem exatamente no esgarçamento dessas categorias. Preferimos falar em “reverberações líricas” para traduzir a atitude de Ventura.”

 

LANÇAMENTO EM SÃO PAULO

Data e Hora: Terça-feira, 12 de agosto às 18h

Livraria Cultura – Av. Paulista

Lançamento do livro: O guardador de abismos

Autor: Antonio Ventura

Editora: Topbooks

Preço de Capa: R$ 39,00

ISBN978-85-7475-231-0

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Seis anos depois

O nobre deputado

      

O lançamento de “NA SALA ESCURA: a arte de sonhar com os olhos abertos”, de Chico Lopes, já tem data marcada

Como antecipado na entrevista publicada no Verdes Trigos, a próxima obra do escritor Chico Lopes (vencedor do Jabuti em 2012 com o romance "O estranho no corredor") “NA SALA ESCURA: a arte de sonhar com os olhos abertos” está pronta.

O lançamento oficial está marcado para o dia 15 de agosto de 2014, na Livraria do Espaço Itaú de cinema; mas já está disponível no site da editora

O livro reúne ensaios sobre cinema publicados pelo autor em sites e jornais. Coletânea que traz apresentação do escritor Ignácio de Loyola Brandão.

Abaixo, uma pequena apresentação do belo trabalho realizado pela Penalux. Clique na capa e já comece a apreciar o que será o livro. Surpreenda-se.

Para comprar o livro, clique aqui (site da editora)

 

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