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Fora da zona de conforto! When my guitar gently weeps Jimi Hendrix- A dramática história de uma lenda do rock Entrevista exclusiva: Autoramas A revolução começou? In Rainbow (Radio Head) More Recent Articles Search Ideas for sale!
No blog de Zeca Camargo (http://colunas.g1.com.br/zecacamargo/ ) li um texto falando de como nós estamos acostumados, nos dias de hoje, a avaliar a música, cinema, polÃtica, sempre nos contentando com menos. E é exatamente essa sensação que tenho dentro do universo musical.
Um exemplo: assisti a um show do Engenheiros do Hawaii aqui em Curitiba e tudo me pareceu muito frio. Tudo tão ensaiado, bonitinho e perfeito que a música perdeu totalmente a espontaneidade. Foi um show aséptico, inodoro e incolor. E claro que esta semana Humberto Gessinger, lÃder da banda, anunciou férias até 2010. O que era bem óbvio.
Também assisti a um concerto do saxofonista Leo Gandelman. Foi incrÃvel. Em um bar pequeno o cara detonou na frente de apenas cem pessoas, tocou quase três horas e levou a galera ao êxtase. InesquecÃvel. O cara é veterano, mora em New York e nunca abriu mão de sua integridade artÃstica. Música instrumental de primeira linha.
Acho que o reflexo do nosso tempo é este, poucas coisas realmente feitas com paixão. Um universo feito de plástico politicamente correto, totalmente hipócrita de bandinhas adolescentes e artistas e celebridades de terceiro mundo. Onde estão os contestadores? Ninguém quer mais polêmica, ninguém quer correr o risco. Todos ficam parados e sorridentes na zona de conforto.
Odeio declarações de bandas como: "Ser rebelde é lutar contra a natureza", "Não baixem nossa música na internet", "Queremos mostrar que bandas de rock também são feitas de pessoas legais". Isto tudo soa falso e oportunista. A arte sempre evoluiu através de revoluções e contestações. O que nos resta é esperar pela revolução artÃstica através da internet...
A banda brasileira CSS que tanto furor casou no exterior acabou de lançar seu segundo álbum. O primeiro era transgressor. Já o segundo foi parar direto na zona de conforto... Polido e sério.
No prêmio de música do canal global multishow aconteceu o mesmo. Umas bandas cantando e tocando incompetentemente e a platéia olhando aquilo tudo com sorriso amarelo. Tocar mal não é contestar, é ser jogado no mercado sem preparo. Imagem é tudo, mas tocar na televisão não é pra qualquer um. Por isso inventaram o playback.
No Altas horas do chato do Serginho Grosman, amigo de Sandy, Ivete e outros artistas da música desprovida de raciocÃnio, o apresentador usou um coitado da platéia como exemplo, perguntando se ele baixava músicas da internet. Claro que o garoto disse que fazia downloads, como todo ser humano que caminha pela face da Terra nos dias atuais. Serginho aproveitou para fazer um discurso velho e ultrapassado contra, misturando pirataria e um simples download na mesma panela. Neste mesmo programa foi tocar a banda Leela. Que grande engodo. Adivinha se o produtor do CPM 22, NX0 e Leela não é o mesmo cara. O mesmo que armou as meninas do Rouge!!! O negócio ali é só grana mesmo. Lembro que quando a banda surgiu era meio dark. Como não rolou decidiram colorir nas roupas e na música. Inclusive a vocalista apresenta agora programas teens num canal infantil. Ainda no mesmo programa somente com um violão se apresentou o filho do Gonzaguinha. Arrasou! Com simplicidade, um pouco nervoso, tocou canções lindas, executadas com honestidade. A reação da galera foi imediata mesmo que inconsciente!
Não escrevi este post para ofender as bandas citadas e nem para arrumar briga com os fãs delas, mas como um desabafo contra tudo que aparece de forma antiartÃstica e artificial. Precisamos de mais atitude e menos sorrisos! Precisamos nos manter fora da zona de conforto onde a música de qualidade sempre ocupou lugar cativo!
Nota: O próximo post será uma lista com bandas NOVAS que valem serem ouvidas. As que arriscam fazer trabalhos artÃsticos verdadeiros.
Quando minha guitarra gentilmente chora. Parafraseando uma música dos Beatles que na humilde opinião deste que vos escreve é a maior homenagem a ela, companheira de todas as horas, que faz a gente sorrir, chorar e nos sentirmos impotentes diante dos seus caprichos e algumas vezes nos tranforma em deuses com o poder que ela transmite. Para ouvintes ou músicos a guitarra tem sido um Ãcone da cultura ocidental (experimentem passar com uma na frente de uma criança e vejam a reação) e ao contrário do que muitos modernosos pregam por aà ela continua viva e atual.
No post de hoje guiarei vocês pelo mundo que eu vivo e trabalho todos os dias. E ajudará a todos a entenderem para que serve cada modelo de guitarra e porque ela foi concebida de determinada forma. Também ajudará aqueles que querem comprar uma destas e se divertir pro resto da vida.
Escreverei sobre os modelos mais procurados e clássicos do mercado. Existem, por exemplo, Les Pauls de outras marcas, cópias não exatas, mas o desenho já lhes dão caracterÃsticas parecidas, ou seja, as dicas aqui postadas servirão também para as cópias. Neste post analisarei os modelos mais procurados.
Gibson Les Paul: (guitarristas que há usam como marca registrada: Slash, Jimmy Page, Paul MacCartney, Ace Frehely, Peter Townshend)
A marca gibson fabricava somente violões. No meio das big bands o instrumento não conseguia aparecer, então a fábrica em 1924 inventou o captador. Uma bobina magnética que transforma o som mecânico em elétrico e envia a um amplificador que o transforma novamente em sinal mecânico. O problema é que o corpo dos instrumentos eram ocos e isto causava microfonia. Então em 1940, Les Paul, um guitarrista de jazz, inventou a guitarra de corpo sólido e o desenho clássico usado até hoje. A Gibson vendo potencial neste mercado emergente comprou a invenção, batizando-a com o nome do seu criador, e o resto é história.
Prós: A Les Paul original é construÃda em corpo maciço e o braço é inteiriço o que dá uma sustentação da nota acima dos padrões normais. Seus dois captadores humbunking (duplos) dão ao seu trimbe um som forte e pesado cheio de harmônicos. Os captadores possuem controles de volume, grave e agudo independentes. Diferentes de outros modelos. Os solos, principalmente os melódicos, nesta guitarra, ficam arrasadores.
Contra: A guitarra tem corpo sólido por isto ela é extremamente pesada. A tecnologia de contrução com o braço colocado ao corpo encarece o instrumento. A variedade de timbres da guitarra é pequeno com somente três posições da chave de grave, agudo e médio.
Som Blues:
Som Limpo:
Som com overdrive by Slash tocando o tema do filme "O Poderoso Chefão":
Fender Stratocaster:(guitarristas que há usam como marca registrada: Jimi Hendrix, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, Marck Knopler, Richie Blackmore)
Modelo criado em 1954 por Léo Fender. A fábrica queria criar uma guitarra que servisse para tocar vários estilos e que tivesse um processo de fabricação mais barato. A guitarra, diferente da telecaster (primeiro modelo) deveria ter um som mais estridente e graves com definição. Melhoraram também o sistema de afinação. As chaves de posição dos captadores permitiam mixar um captador com o outro resultando em um instrumento com uma grande gama de sons.
Prós: A guitarra fender possui bastante versatilidade permitindo tocar quase todos os estilos. Seu design é bastante funcional e simples. Seu som não é tão radical quanto a Les Paul mas tem equilÃbrio e clareza. ImbatÃvel nos timbres limpos.
Contra: Os sons para os estilos mais pesados não funcionam tão bem. O sustain da guitarra é pequeno.
Som blues:
Som limpo:
Eric Clapton tocando com sua guitarra Fender folhada a ouro e um time dos sonhos o acompanhando:
Confesso que a biografia de Jimi Hendrix, escrita por Sharon Lawrence, me surpreendeu. Li despretensiosamente esperando o velho clichê sexo, drogas e rock and roll e encontrei nas pouco mais de 334 páginas um artista sensÃvel, inteligente e profissional. Sharon era uma amiga e confidente de Jimi e em seu livro mostra na verdade, que a grande lenda da guitarra, tinha uma visão artÃstica muito aguçada e refinada e que o sistema de gravadoras, empresários inescrupulosos, "amigos" interesseiros e o pior, parentes próximos que só pensavam em dinheiro, destruÃram sua saúde a ponto de levá-lo a uma vida tão desajustada que o levou à morte. O capÃtulo final é trágico e conta a história das pessoas que fizeram mal a ele e o destino que tiveram, como acidentes e suicÃdios, que mais parecem uma punição à queles que fizeram tanto mal ao astro. Inclusive a autora insinua que se o guitarrista tivesse tido um socorro adequado poderia ter sobrevivido e nos dado muitos anos a mais de boa música. O que mais me marcou no livro foi a homenagem que as revistas de música lhe prestaram reconhecendo seu grande talento. Uma página em branco com bordas pretas escrita "To a black gipsy cat who rocked the world when it needed to be rocked, sleep well" - "A um gato preto cigano que incendiou o mundo quando o mundo precisou ser incendiado, durma bem." Emocionantes palavras, já que Jimi realmente sacudiu o mundo e revolucionou a música contemporânea.
Leia aqui o primeiro capÃtulo do livro na Ãntegra:
http://www.mtv.uol.com.br/drops/arquivos/hendrix.pdf
Alguns vÃdeos de um dos guitarristas mais criativos e influentes de todos os tempos:
Voodo Chile:
Purple Haze:
Foxy Lady:
Hey Joe:
O Autoramas foi formada em 1997 por Gabriel Thomaz (guitarrista e vocalista). Depois de fazer sucesso como compositor de hits das bandas como Raimundos e do fim de sua antiga banda Little Quail & The Mad Birds, chega ao Rio e chama seus amigos Bacalhau (baterista) e Simone (baixista) para fazer um som batizado em bom português como "Rock para Dançar", uma mistura da Surf Music dos anos 60, com a New Wave dos anos 80, mais influências da Jovem Guarda, e a energia do Punk Rock com guitarras com timbres únicos, baixo distorcido e batidas dançantes. Com quatro álbuns lançados e na estrada desde sempre pelo Brasil e exterior esta é uma das bandas indenpedentes brasileiras mais importantes.
Gabriel Thomaz respondeu gentilmente esta entrevista para nosso blog. Além de gostar muito do som dos caras eu solicitei a entrevista porque a banda participa da cena independente desde o inÃcio da carreira e, apesar das dificuldades, colhe cada vez mais os frutos de se compor sem interferências ou controle artÃstico externo. Inclusive sendo premiada muitas vezes tanto no Brasil quanto no exterior. Senhoras e senhores com vocês um bate papo bem bacana com Gabriel Thomaz!
Gostaria de iniciar a entrevista perguntando como você começou a tocar guitarra e a cantar?
Gabriel: Comecei primeiro a tocar guitarra, com uns 11 anos de idade comecei a fazer umas aulas e já comecei a compor umas besteiras e formar bandas. Já com banda, na falta de vocalista, comecei a cantar.
Quais foram as suas principais influências e como estas bandas mudaram a sua forma de encarar o mundo?
Gabriel: Minhas influências maiores foram a New Wave de bandas como B-52’s e Devo, Roberto Carlos e a Jovem Guarda em geral, A Surf Music, o Punk Rock...Eu vejo o mundo do meu jeito, assim como cada um desses artistas fez.
Qual a melhor maneira que você acha, para a moçada que está começando a tocar, para desenvolver a técnica de guitarra? Como foi a opção de cantar em português?
Gabriel: Canto em português porque nessa lÃngua é mais natural pra mim. Acho que a melhor técnica é a personalidade, ser você mesmo .
Qual a rotina de ensaios do Autoramas e como funciona o processo de composição de vocês? Gabriel:Quase nunca ensaiamos, pois estamos na estrada o tempo inteiro. Não temos um processo fixo de composição, cada música vem de um jeito...
Como é ser uma banda independente no Brasil? Quais as vantagens e desvantagens? Estamos vivendo mesmo em meio a uma explosão da cena no Brasil?
Gabriel:É muito difÃcil, mas temos total liberdade artÃstica, que é a coisa mais importante do mundo. Agora todo mundo é independente, até a Maria Bethânia e o Chico Buarque .
Como você vê as novas tecnologias e acesso a música como o formato mp3, os downloads, youtube, álbuns em pendrive e afins?
Gabriel:Vejo com muita alegria, essas coisas chegaram pra facilitar nossa vida.
Vocês são uma banda independente que já tem um grande nome na cena rocker brasileira. Investem em clips e sempre seus trabalhos tem o mesmo nÃvel de produção ou à s vezes maior do que uma banda em uma gravadora major. O que você atribui, primeiro a longevidade que a banda têm, afinal são dez anos tocando, e este grau de qualidade musical e de produção?
Gabriel:Só uma coisa: Amamos tocar.
Fale sobre o último álbum de vocês, Teletransporte, e onde a moçada pode encontrá-los para adquiri-lo.
Gabriel:É nosso quarto cd, foi produzido pelo Berna e pelo Kassin, está um sonzaço...Acho que dá pra encontrar nas melhores lojas do ramo...
Gabriel, obrigado pela entrevista e deixe uma mensagem pra galera que está começando a tocar e formar uma banda.
Gabriel: Sempre faça o que você gosta. Muita paz e muito Rock para todos!
Vejam este clip. Grande produção, tudo feito independente. No ano do lançamento ,em 2005, a banda foi a mais premiada no VMB da MTV.
Este é de 2007. Foi filmado na Inglaterra. Vejam que os caras tocam sem os instrumentos. Guitar, bass, vocal and drums air.
Dia dez de outubro de 2007. Guardem esta data em suas cabeças amiguinhos! Talvez este dia tenha sido o ponta pé inical de uma revolução dentro da indústria musical.
Como escrevi em um post passado, a forma de se produzir música e comercializá-la mudou radicalmente nos últimos anos. As bandas e selos que não tiverem capacidade de adaptação estarão fadados ao fracasso. A quebradeira das gravadoras em escala global e a venda de cds despencando vertiginosamente são a prova de que mudanças significativas acontecerão em breve. Naufragando e indo diretamente ao fundo do poço por total negação dos novos formatos e a ganância de querer estar presa a um modelo já considerado obsoleto, a indústria da música mais parece aquele rei que preferiu se trancar em sua sala de tesouro e morrer lá dentro rodeado de riquezas sem ter como desfrutá-las.
É aà que entra em cena uma das bandas mais legais do inÃcio dos anos noventa. Radiohead. Os caras sempre tiveram uma carreira alternativa. Mas agora desligados de uma grande gravadora, ou seja independentes, lançaram no dia dez de outubro de 2007 o álbum In Rainbow. O legal de tudo isto é que os caras decidiram investir em um novo formato de venda do seu trabalho. Disponibilizaram o álbum em mp3 para download. A proposta é a seguinte: O fã pode comprar pelo valor que quiser o disco. Uma forma de passar o chapéu e deixar que o consumidor de música pague o valor que achar justo. Achei a idéia ambiciosa e revolucionária. Sem ter atravessadores a banda receberá integralmente o valor pago por cada download.
Confesso a vocês que primeiro fiz um download gratuito para avaliar o álbum. Mas esperava coisa boa, já que o New York Times dedicou uma página de seu caderno de cultura para falar deste novo projeto e falou muito bem da música além de toda esta atenção que está sendo dada ao formato de comercialização que a banda propôs. Boatos dizem que o Radiohead arrecadou vinte milhões de dólares. Muitos estão pagando poucos dólares ou mesmo fazendo o download em sites de compartilhamento, mas existem fãs que, para apoiar a causa, gastaram cerca de oitenta a duzentos dólares para comprar o disco.
No final das contas amei o In Rainbow! Músicas muito bem compostas, modernas e com melodias lindÃssimas. Um trabalho de banda madura que sabe o que quer. Destaque para a balada Nude e a voz de Thom York. Bodysnatchers é uma música bem new york rock com clara influências de Sonic Youth (não conhecem? Procurem esta banda que vale a pena também). O álbum todo é coeso e cheio de climas bem construÃdos. As influências de Talking Heads e Pink Floyd estão lá para os mais atentos.
Enfim, no mesmo dia fui ao site dos caras (www.radiohead.com ) e comprei o In Rainbow por três libras mais quarenta e cinco pounds de transação do cartão de crédito. Convertendo deu quase doze reais. Na hora me enviaram o link para o álbum que veio bem rápido. Me senti realizado e assinando embaixo um projeto que talvez seja o inÃcio de uma forma nova de se adquirir música e que, diga-se a verdade, é também uma obra de arte musical de altÃssimo nÃvel.
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